A obediência e humildade de Maria

Ana Rafaela Maragno

Difícil é encontrar, hoje, na sociedade almas submissas à vontade de Deus e conformes aos seus mandamentos.
Que pensar, então, da humanidade, há cerca de dois milénios atrás, submersa nas sombras do paganismo? Os gentios tinham por lei o amor a si e o esquecimento dos outros. Os judeus, embora tivessem a luz das profecias sendo conhecedores do Deus verdadeiro, esfriavam sempre mais na expectação da vinda de seu Redentor e como consequência esqueciam-se da fidelidade a uma vida virtuosa.

Ignoravam estes, porém, que na pequena cidade de Belém, um altamente nobre, humilde e santo casal já adorava um Deus-Bebê que uma Virgem dera à luz e afagava-O em seus braços. Um Homem-Deus que veio fazer a vontade do Pai e que praticou a humildade até mesmo antes de nascer, encerrando-se nove meses no seio de Maria, ocultando seus atributos divinos; sofrendo as repulsas que sua Mãe foi vítima quando não a quiseram receber em Belém; nascendo em uma gruta e posto sobre palhas em uma manjedoura.

Após seu nascimento, o santo casal esperou completarem-se os quarenta dias para a purificação da Mãe e a apresentação do Menino no Templo, conforme ordenava a lei de Moisés. Que necessidade havia de o Autor da Lei e a Mãe da graça observarem os preceitos mosaicos? Entretanto, por um amor à lei que Ele mesmo havia criado e por uma humildade profunda, dirigiram-se ao Templo a fim de a cumprirem.

praesentatioTomaram o caminho de Jerusalém. Foi a primeira passagem de Jesus por aquela cidade, que haveria de percorrer anos mais tarde fazendo o bem a todas as suas criaturas, até o momento de atravessá-la novamente carregando sua cruz às costas para consumar sua obra de amor. Ocultos aos olhos humanos, mas espetáculo para todos os anjos que guiavam os seus caminhos, avistaram as muralhas do Templo. O Divino Menino entraria nele, pela primeira vez, levado nos braços de sua Santíssima Mãe.

A Virgem parou “à porta do tabernáculo, como as outras mães de Israel, que não podiam entrar nele, antes de serem purificadas”. 1 Não haveria necessidade de purificar-se quem é a Rainha das virgens, porém quis praticar esse ato de humildade e se apresentou ao sacerdote.

Neste momento, deu-se o encontro com o velho Simeão que, movido pelo Espírito Santo, dirigiu-se àquele jovem casal que portava a mais preciosa criatura: o Homem-Deus. Simeão O tomou nos braços e “cantou a glória d’Ele, profetizando tudo quanto Ele seria. E Nosso Senhor, frágil criança, na aparência sem entender, compreendia e inspirava aquele cântico…” 2 Ao mesmo tempo, profetizou sobre os sofrimentos da Mãe : “e uma espada transpassará a tua alma”(Lc 2,35).

Ambos vieram ocultados sob o véu da humildade e foram distinguidos e proclamados: o Menino como luz das nações e glória do povo de Israel (cf. Lc 2,32); a Virgem, sendo a Mãe de Deus e Co-redentora. O consentimento de Nossa Senhora em que seu Filho fosse imolado de forma tão cruel e dilacerante pela remissão de nossos pecados, os méritos desse sofrimento indizível da Virgem unidos aos méritos infinitos do martírio de Jesus, tudo isso granjeou-Lhe o título de Co-redentora do gênero humano.

O que mais conhecemos da vida de Maria? As Sagradas Escrituras relatam a preocupação de Nossa Senhora na perda e o encontro do Menino Jesus no templo e o milagre de Jesus nas Bodas de Canã por intercessão dela. Em algumas circunstâncias de sua vida, Maria foi tratada por seu Divino Filho de mulier – mulher – como a uma estrangeira para lhe favorecer a humildade, conquanto em Seu coração, a estimasse e amasse mais do que todos os anjos e homens. Embora Deus–Pai lhe tivesse outorgado o poder de fazer milagres, consentiu que jamais em sua vida Nossa Senhora fizesse algum, ao menos um milagre visível e retumbante.

Entretanto, Maria é Rainha do Universo, dos anjos e dos homens porque é a mais humilde de todas as criaturas; escolheu o último lugar, o mais próximo ao Filho que, embora sendo Deus, se fez “obediente até a morte e morte de cruz”.

Ensina-nos o Divino Mestre: “Todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado” (Lc 14,11). Esse é o prêmio dos humildes: quanto mais se apagam, mais Deus os eleva e os faz fulgurar com brilho cada vez maior.

Ao contrário, os orgulhosos quanto mais correm atrás das glórias mundanas, tanto mais são sepultados no isolamento e no esquecimento, pois “o orgulho é impaciente e malévolo; invejoso, arrogante, ambicioso, busca só os seus próprios interesses, pervadido de irritações e de ressentimentos pelo mal sofrido”, porque o orgulho “nada desculpa, de tudo desconfia, nada espera e nada suporta” (parafraseando São Paulo, I Cor 13, 4 a 7).

Sigamos o exemplo de Maria. Ela é a Rainha da humildade e por uma palavra sua tudo pode obter-nos de seu Filho diletíssimo, a nós miseráveis pecadores que Ela vela com verdadeiro amor de Mãe. Deixemos para trás o orgulho e obedeçamos às leis Deus.

1 AQUINO, Maria Teresa. Aula de Mariologia no Instituto Filosófico-Teológico Santa Escolástica — IFTE. Caieiras, 20maio2011. (Subsídios).
2CORREA DE OLIVEIRA, Plinio. A Apresentação do Menino Jesus. In: Dr Plinio. São Paulo: Retornarei, n.71, fev. 2004. p. 2.

Uma ideia sobre “A obediência e humildade de Maria

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