38 horas no Purgatório? Ou 38 anos na Terra?

Ir. María José Vicmary Féliz Gómez
2º ano de Ciências Religiosas

Era 14 de abril de 1433, Páscoa da Ressurreição. Grande parte do povo de Shiedam, na Holanda, reunia-se diante da casa de uma moribunda.

– O que está acontecendo? – perguntou um viajante.

– É Ludovina. Hoje se completam trinta e oito anos de seu martírio.

– Ludovina? Eu já ouvi esse nome… Sempre achei que fosse uma lenda… Dizem que ela está sobrevivendo há sete anos só com a Sagrada Comunhão. Não consigo acreditar…

– Meu caro senhor, eu também não acreditava – respondeu com ar grave um homem que ouvira o diálogo. Há doze anos, tomei a decisão de acabar com a fama de santidade desta mulher, que eu julgava ser uma farsante. Passei dias e noites junto ao seu leito de dor, com a esperança de confirmar minhas suspeitas. No entanto, foi ela quem me confirmou na fé: agora não só acredito no poder da Eucaristia, como também confesso firmemente as virtudes heroicas de Ludovina.

– O senhor a reconhece então como uma santa? Pode explicar-me, por favor, a razão de tão ousada afirmação? – replicou o viajante.

– Até os quinze anos – começou o interlocutor – ela levou a vida comum das moças de sua idade. Porém, sofreu uma queda patinando no gelo e, como consequência, sua coluna vertebral quebrou-se, transformando sua vida inteiramente: paralisia completa, cegueira, contínuos vômitos, enxaquecas, febres, nervos inflamados e um abcesso dolorosíssimo no ombro esquerdo.

– Meu Deus! É um verdadeiro purgatório em vida! – exclamou assombrado o visitante.

O devoto continuou:

– Nós não fazemos ideia do que é o Purgatório. Ludovina tampouco o sabia e lamentava-se continuamente por Deus ter permitido tão horrível martírio. Foi assim até a noite em que Nosso Senhor lhe apareceu em sonho e fez-lhe uma proposta: “Como expiação dos teus pecados, o que preferes: trinta e oito horas no Purgatório ou trinta e oito anos sofrendo como estás?” E ela respondeu sem titubear: “Senhor, prefiro trinta e oito horas no Purgatório!”. Nessa mesma hora, Ludovina sentiu que morria, e começou a padecer os atrozes tormentos do lugar de purificação.

Sem embargo, vendo que as horas se escoavam e seu padecimento não terminava, aproveitou a passagem de um Anjo e perguntou-lhe:

– Por que Nosso Senhor não cumpriu o contrato feito comigo? Acho que já se passaram três mil e oitocentas horas…

O Anjo lhe respondeu:

– Crês que estás aqui há três mil e oitocentas horas? Não faz nem sequer cinco minutos que morreste! Teu corpo ainda está quente!

Aterrada, Ludovina implorou a Jesus: “Senhor, prefiro passar trinta e oito anos sofrendo como antes a ficar mais um instante neste lugar!” Nesse momento, ela acordou. A partir de então, nunca mais se queixou de seus sofrimentos. Ao contrário, amou tanto sua cruz que passou a repetir frequentemente: “Senhor, é tão séria a vossa justiça e eu a amo tanto que, se me bastasse rezar uma pequena oração para ficar curada, eu não a rezaria”.

Impressionado, o viajante caiu de joelhos. A luz que se encontrava acesa na casa apagou-se nesse momento, anunciando ao povo a partida de Ludovina para a eternidade. E dos lábios daquele que até há pouco fora um incrédulo, brotou este ato de fé: “Santa Ludovina, rogai por nós, para aprendermos a amar nossa cruz e, sobretudo, para crescermos no amor Àquele que por nós tudo sofreu!”.

No ano de 1890, o Papa Leão XIII oficializou o culto a Santa Ludovina, declarando-a padroeira dos patinadores e dos doentes.

4 ideias sobre “38 horas no Purgatório? Ou 38 anos na Terra?

  1. Salve Maria!
    Imaginar que vão ter almas que ficarão até o final do mundo no purgatório, mas são santas pois tem o céu como futuro, rezemos pedindo graças para nossas dificuldades que elas atendem.

    • Não seria tão ruim então desejarmos que o fim do mundo chegasse agora, pois chegaria o fim do sofrimento para essas almas… porém, talvez, não daria tempo de outras almas se converterem!!! Que seja feita a vontade de Deus!!!

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