Espírito Santo é Deus?

Ir. Letícia Gonçalves de Sousa, EP

Há dois modos de conhecimento: pelo princípio e pelo objeto. No primeiro caso, ou obtemos por esforço da razão natural, ou voamos com as asas da Fé divina. No segundo, além das verdades que a razão pode conhecer, dispomos da Revelação dos mistérios escondidos em Deus.

Um dos principais mistérios de nossa Fé – Deus é uno em essência e trino em Pessoas – nos veio através da Revelação de Jesus Cristo.

A trindade e unidade divina é um tão grandioso mistério escondido em Deus, desde toda eternidade, que nem o maior dos Serafins seria digno de revelá-lo aos homens. E, ainda assim, mesmo que nos tenha sido revelado por Nosso Senhor, nesta Terra não o podemos entender por completo, só na visão beatífica compreenderemos a Deus tal como Ele é. “Hoje vemos como por um espelho, de maneira confusa, mas então veremos face a face. Hoje conhecemos de maneira imperfeita, então conheceremos exatamente” (I Cor 13, 12).

Percorrendo as páginas do Evangelho, encontramos diversas manifestações da Trindade: “Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os Céus se abriram e viu descer sobre Ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus. E do Céu baixou uma voz: Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição” (Mt 3, 16-17). O Paráclito Se revela na pomba, unindo-Se à voz do Pai, e a Trindade se manifesta aos homens, em Cristo Jesus.

Mas, verdadeiramente podemos considerar o Espírito Santo como Deus?

A Igreja assim o definiu no Símbolo de Niceia: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho”. 1

Então, por que Ele passa por Deus desconhecido? 2 O próprio Apóstolo dá testemunho de ser a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade “desconhecida”: “chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles: ‘Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a Fé?’. Responderam-lhe: ‘Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!’” (At 19, 1-2). E se esta pergunta se fizesse em nossos dias, certamente a mesma resposta seria dada por um número considerável de cristãos.

O Espírito Santo é idêntico ao Pai e ao Filho, “é da mesma natureza do Pai e do Filho, assim como o Filho é o Verbo de Deus, assim também o Espírito Santo é o Amor do Pai e do Filho”.3 O amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai é tão grande e perfeito, que faz proceder outra Pessoa eterna, que é o Espírito Santo. Esta procedência se realiza por via de espiração de amor do Pai e do Filho.4

Mons. João Scognamiglio Clá Dias 5 explica o que é possível ser explicado acerca da Trindade de Deus: O Pai, que é Deus, gera o Filho, que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade; contemplando o Filho, idêntico a Ele, vê todas as grandezas que há n’Ele, idênticas às de sua própria Pessoa, e O ama inteiramente. O Filho admira o Pai e o Pai admira o Filho; desse amor procede uma Terceira Pessoa, que é o Espírito Santo. Em teologia, a relação íntima das três Pessoas divinas no mistério do convívio trinitário se chama pericórese. De tal maneira os três são idênticos que se o Pai ou o Espírito Santo se encarnassem seriam iguais, pois “quem me viu, viu o Pai” (Jo 14, 9).

1 SÃO PIO V. Catecismo Romano. Trad. Frei Leopoldo Pires Martins. Petrópolis: Múltipla, 1950, p. 66

2 Cf. ROYO MARÍN, Antonio. El gran desconocido: el Espíritu Santo y sus dones. 2.ed. Madrid: BAC, 2004

3 SÃO TOMÁS DE AQUINO. Exposição sobre o Credo. Trad. D. Odilão Moura. 4.ed. São Paulo: Loyola, 1981, p. 70.

4 Cf. ROYO MARÍN. El gran desconocido: el Espíritu Santo y sus dones. Op. cit. p. 18.

5 Cf. CLÁ DIAS. Homilia na Solenidade da Santíssima Trindade. Op. cit.

Uma ideia sobre “Espírito Santo é Deus?

  1. Salve Maria! Este artigo afirma que “do amor entre Pai e Filho procede o Espírito Santo”. Ora, deveria ser “o Espírito Santo é o amor entre Pai e Filho”. Ou seja, o Espírito não procede do Amor, mas sim do Pai e do Filho. Como disse Santo Agostinho, “o Espírito Santo é a relação amorosa entre Pai e Filho”.

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