Noite mística

Ir. Patricia María Rivas Flamenco

2º Ano de Ciências Religiosas

Nos primórdios da constituição da Ordem dos Franciscanos, a necessidade obrigava todos os monges, inclusive São Francisco, a dormir no chão do dormitório. Mas, enquanto todos dormiam, o santo Fundador levantava-se, saía do dormitório e ia rezar durante algumas horas. Depois voltava a dormir, para que à hora do despertar ninguém percebesse sua falta.

Ora, foi admitido na ordem um jovenzinho muito inocente, que devotava grande admiração a São Francisco. Analisava cada passo de seu Fundador, e causava-lhe muita curiosidade saber o que ele fazia durante as noites. Por isso, arquitetou um plano: certa noite, deitou-se próximo de São Francisco e atou a corda de seu hábito à corda do hábito do Santo, para assim ser alertado quando o Santo se levantasse. Mas São Francisco, ao despertar para as orações de costume, viu as cordas atadas e com muita delicadeza desatou-as, sem acordar o menino. Pouco depois, o menino despertou, viu a corda desatada e notou a ausência do santo. Sem perder a esperança, saiu à procura dele. Achando a porta do pátio aberta e escutando algumas vozes, aproximou-se e encontrou São Francisco conversando com Nosso Senhor, Nossa Senhora, São João Batista e São João Evangelista. Ao contemplar esta cena, o menino desmaiou…

Terminada a celestial conversa, São Francisco começou a voltar para o dormitório e, no caminho, tropeçou com o pequeno desmaiado. Abaixou-se, pegou-o nos braços e o carregou até o dormitório. No dia seguinte, deu-lhe obediência de não contar a ninguém o fato, enquanto vivesse São Francisco.

Que ensinamento podemos tirar deste fato? Peçamos a Nossa Senhora que nossa corrente esteja bem atada a Ela e, assim, estaremos sempre despertos para contemplar as grandezas de Deus.

Pulchrum, o que é?

Ir. Juliane Vasconcelos Almeida Campos, EP

Muitas vezes se relaciona beleza com imagem. Mas estas são distinguíveis, apesar de não separáveis totalmente: há conceitos belos e imagens feias. Pode-se dizer belamente a verdade, mas esta só termina de convencer quando é mostrada e não apenas dita. Também se pode fazer belamente o bem e dizê-lo, mas no fazer já o está mostrado iconicamente. Porque é consistente e real o ser no qual o homem crê e seu princípio também é pessoal. 1

E apesar da filosofia moderna kantiana haver reduzido a beleza a um elemento puramente subjetivo, enquanto propriedade do ser, o pulchrum está intimamente ligado aos atributos transcendentais: ao verdadeiro, porque agrada aquilo que é conhecido pelo intelecto, e ao bem porque o objeto do belo satisfaz o apetite sensível. Porém, hoje em dia nota-se que, infelizmente, tornou-se natural ao homem não mais degustar o pulchrum do verum como, por exemplo, um pensamento lógico de um São Tomás, que emite uma beleza que não é literária, senão que é a beleza inerente à ideia ou à verdade que ele põe em evidência, é a beleza do pensamento puro, do conteúdo relacionado à ideia. A beleza da ideia verdadeira é um esplendor que reflete o lado espiritual do homem, como um cristal que, absorvendo a luz, cria a ilusão de que a luz que mora nele o faz um foco de luz. Portanto, o ponto terminal do verum em plenitude, nessa consideração, é o pulchrum. Mas o belo é, também, um tipo de amor que não pode ser destacado do bonum como elemento deste amor. E é por isso que o pulchrum não é senão o splendor veritatis e o splendor bonitatis. 2

Este seria um título autônomo do amor que faz ver a bondade e a verdade das coisas, ou seja, o pulchrum dá uma facilidade especial para amar. Quando se diz que Deus repousou contemplando as suas obras, eram estas mesmas voltando-se para Ele, num ato de religião, cuja beleza é a do efeito que se volta à sua causa. Esse modo de ver o pulchrum é algo que penetra no homem ― libertando-o de seu egoísmo ―, ao qual ele se rende amorosamente, deliciosamente, como num êxtase. Sai de si mesmo, de sua pequenez e se entrega à grandeza e plenitude, como um filho que readquire seu pai, encontrando-o no Absoluto. É uma contemplação estética das mais altas, pois depois de fazer toda espécie de analogias da coisa e chegar à sua beleza, a contempla em Deus, como a Beleza em si. É uma emoção estética que termina substancialmente num ato de caráter religioso e metafísico, ainda que inconsciente. É um profundo pensamento, que através dos esplendores naturais ali contemplados, se chega ao conhecimento do amor de Deus, a uma experiência transcendental do Absoluto. 3

Deus, portanto, se manifesta como uma “fornalha”, luminosa e incandescente, como luz iluminadora, que é o Belo, e como calor vivificante, que é o Bem. Ele é simples e sua luminosidade e incandescência se identificam. “O Bem e o Belo se fundem na indivisibilidade. Então, o prazer de ver a Beleza e as alegrias que saciam de possuir o Bem se compenetram; a inteligência e o amor se liquefazem na unidade do êxtase”.4 Contemplando o Belo, o homem torna-se bom, assim como se torna belo amando o Bem.

1) LLACH ACI, María Josefina. Otra mediación: la belleza, otro lenguaje: la imagen. Em: Revista Teología. Buenos Aires. No. 92 (Abr., 2007); p. 66.
2) CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Coletânea de conferências sobre o Pulchrum. São Paulo: s.n., 1966-1984. s.p.
3) Ibid., s.p.
4) DE BRUYNE, Edgar. L’Esthétique du Moyen Âge. Louvain: L’Institute Supérieur de Philosophie, 1947. p. 123.

“Pulchrum”: o encontro com a transcendência absoluta em nossos dias. Revista Lumen Veritatis. n. 14. Jan-Mar 2011

A verdade: guia terrestre para chegar à luz celeste

Ego sumEmelly Tainara Schnorr

“O que é a verdade?” (Jo 18, 38). É esta uma indagação feita por Pilatos a Nosso Senhor, e que se repetiu ao longo dos séculos diante de santos e mártires, por parte de reis e imperadores.

A natureza humana possui uma tendência profunda a procurar a verdade. “A sede de verdade está tão radicada no coração do homem que se tivesse de prescindir dela, a sua existência estaria comprometida” (JOÃO PAULO Il, Fides et Ratio, n. 29).

Segundo S. Agostinho, a verdade se apresenta e se oferece a todos os que são dotados de inteligência para contemplar as realidades. E é ela uma realidade muito mais sublime do que a nossa razão e a nossa mente.

A verdade está em nossa inteligência e vive na mente humana. “O verdadeiro e o falso não estão nas coisas, mas no intelecto” (ARISTÓTELES apud SÃO TOMÁS DE AQUINO, S.T. I, q. 16, a.1) .

Ela consiste em julgar que as coisas são o que na realidade são. “Dizer que é, o que é; e que não é, o que não é: eis a verdade” (ARISTÓTELES apud GILSON, p.476). E ainda: “Uma conformidade entre o que o espírito julga, e o que é” (GILSON, 1970, p. 258).

Já os sentidos não podem alcançar esta conformidade que há — “(…) esta conformidade os sentidos não conhece de modo algum” (SAO TOMÁS DE AQUINO, S.T. I, q. 16, a.1). A tal ponto que um animal, isento da capacidade intelectiva, não percebe o verum, não sabe que ele existe, pois “a verdade é a própria essência dos seres enquanto cognoscíveis pela inteligência” (JOVILET, 1972, p. 246).

Desta maneira, a verdade consistirá numa relação entre a coisa e o intelecto. Quando a coisa se conforma com o intelecto, denominamos verdade transcendental. “É uma relação de identidade de natureza entre uma coisa dada e um pressuposto ideal” (JOVILET, 1972, p. 246). Irreversivelmente, a verdade tornar-se-á conhecida para nós apenas quando o nosso intelecto se conformar com a coisa. “Daí resulta que conhecer tal conformidade é conhecer a verdade” (SÃO TOMÁS DE AQUINO, S.T. I, q. 16, a. 2).

Sem embargo, esta relação da coisa com o intelecto, pode ser uma relação por si (per se), quando a coisa depende do ser. Ou por acidente (per accidens), quando se refere ao intelecto pelo qual ela é cognoscível. (SAO TOMÁS DE AQUINO, S.T. I, q. 16, a. 1).

No momento em que o intelecto humano se conformar com o objeto conhecido, temos uma verdade lógica. “É uma propriedade não mais das coisas, mas da inteligência cognoscente” (JOVILET, 1972, p. 247).

Entretanto, todas as verdades existentes são destinadas a refletir uma única Verdade, que é Deus, e tão somente através do intelecto divino é que as coisas são verdadeiras. É como se fosse um vitral atravessado pelo sol, espargindo diversas cores, as verdades são cada uma destas cores, segundo o seu próprio modo de ser, todas espelhando a Verdade Suprema.

“A perfeição do intelecto é o verdadeiro enquanto conhecido” (SÃO TOMÁS DE AQUINO, S.T. I, q.16, a.1). Diz a Escolástica que a felicidade do entendimento é o repouso na contemplação da Verdade.

Ora, dissemos anteriormente que o homem sempre está a procura da verdade. Como explicar, então, que possa cair no erro e na falsidade?

A falsidade é o oposto da verdade. “O verdadeiro e o falso se opõem como contrários” (SÃO TOMÁS DE AQUINO, S.T. I, q. 17, a. 4). Ou seja, se da verdade se pode definir o que é, a falsidade consiste em afirmar “que não é o que é; ou que é o que não é” (GILSON, 1970, p. 475), sendo esta uma afirmação contraditória com a verdade. Em outro lugar: “A falsidade consiste na não-conformidade entre o conhecimento e a coisa” (SÃO TOMÁS DE AQUINO. In: Pensadores, 1996, p. 115-116).

Por exemplo, quando em um objeto aparecem externamente qualidades sensíveis as quais demonstram uma natureza que não lhe corresponde, dizemos que este objeto é falso.

A natureza humana é tão propensa à verdade que quando o homem ama algo contrário a ela, ele quer que este algo seja verdadeiro. Com isto, cai em erro, persuadindo-se de que é verdadeiro o que na realidade é falso (AGOSTINHO apud CORRÊA DE OLIVEIRA, 2002, n49, p. 30).

Monsenhor João Clá explica que o homem não pratica o mal pelo mal, assim como também não pratica o erro pelo erro. Então, ele porá aspectos de verdade ao erro que abraçou.Por conseguinte, a falsidade se inviscerará na verdade, necessitando alimentar-se dela. “Tudo o que é falso está fundado em algo verdadeiro” (SÃO TOMÁS DE AQUINO, S.T. I, q. 17, a. 4).

Destarte, contemplando a humanidade hodierna, percebemos o quanto ela se desviou do “Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), que é Nosso Senhor. Conseqüentemente, escravizou-se à falsidade, embriagando-se de todos os vícios que dela provém.

Compreendemos, então, o quanto a verdade é a nossa guia terrena e tendo-a encontrado, devemos aderir e adequar nossa vida a ela para chegarmos à morada celeste.

Beleza: transcendência que leva a Deus

Irmã Juliane Vasconcelos Almeida Campos, EP
Catedral de Colônia

Ontologicamente, podemos afirmar com SãoTomás que o senso do ser relaciona-se sempre com os transcendentais, que estão em todos os seres, em qualquer nível que seja. Estas seriam as propriedades do ser enquanto tal: unum, bonum, verum, pulchrum ― unidade, bondade, verdade e beleza. Quando um ente é o que deve ser, ou seja, possui a verdade em sua essência, é também bom e, de acordo com a esfera a que pertence, é belo, santo, nobre ou útil. E sendo os transcendentais aspectos do ser, formam uma unidade com ele, considerados em sua realidade metafísica, inseparáveis entre si e a negligência de um deles seria uma catástrofe para os outros. A beleza é o esplendor dos transcendentais reunidos.

No entanto, o homem, enquanto ser, também tem em si os transcendentais e sua vida não é uma mera sucessão de feitos e experiências. Sendo racional, sua vida é a busca da verdade, do bem e da beleza. E para esse fim, exerce sua liberdade, pois aí se encontra sua alegria. Sendo composto de corpo e alma, matéria e espírito, inseparáveis, necessita das exterioridades para através dos sentidos conhecer o mundo não só por sua inteligência, mas também pela sua vontade e sensibilidade.

O simbolismo é, portanto, universalmente humano, comum a todas as culturas; entre os homens a linguagem figurada é o natural. Os sentidos são alcançados por essa linguagem e a audição, visão, olfato e tato, são especialmente tocados pela beleza do materializado. Inicialmente, pela beleza das coisas criadas, para depois encontrar o sentido na luz do fundamento de toda a beleza, a beleza Suprema, autora de todas as outras. Assim, do homo simbolicus,considerado pela perspectiva antropológica do Sagrado, visualiza-se o homo religiosus, porque o homem é religioso em sua natureza.

Santo Agostinho dizia que as coisas criadas de si mesmas falam de Deus. E essa foi uma das principais preocupações dos filósofos, que pela “arte” conhece-se o “Artista”. Para ele, a beleza das coisas revelam a Deus, pois “se as coisas que fez são tão belas, quanto mais belo é Aquele que as fez”. Bento XVI, na Austrália, lembrou aos jovens da Jornada Mundial da Juventude esse pensamento e comentou que vendo a diversidade da natureza, do mar Mediterrâneo, passando pelo deserto Africano e pelas florestas asiáticas, até a vastidão do Pacífico, sentiu um reverente temor, porque à frente de tal beleza só poderia repetir as palavras do salmista: “Senhor, nosso Deus, quão admirável é o teu nome em toda a terra” (Sl 8. 2).

Ao longo do tempo, o homem foi materializando e exteriorizando sua concepção artístico-religiosa através dos símbolos, da arte, arquitetura, música e ritos, construindo sua cultura. No Ocidente, a base desta foi o cristianismo. Não foi por mera casualidade que os povos cristãos têm sido, de longe, os mais inovadores e criativos em todos os campos da cultura.

Assim, a realidade construída por símbolos, mostrava a arte como uma forma de conhecimento tão séria como a ciência. Mas Kant a divorciou desta, abrindo a era do racionalismo puro; o conhecimento passou a ser empírico, ajustando-se às experiências do homem, e a beleza tornou-se subjetiva. No século XVIII, com Alexander Baumgarten, surgiu o termo estética, de origem grega, significando sensação, sentimento.

Isso gerou a estetização do mundo. No século XIX, cultura passou a significar o progresso humano contínuo e ascendente, acrescentando os conhecimentos do homem, refletidos no crescimento da filosofia, da ciência e da estética. Mas, atualmente, a cultura sofreu tantas transformações, que não se sabe bem para onde o mundo caminha, tudo depende da sensação e do mercado. A Estética separou-se completamente da cultura e da religião, perdendo a memória histórica da humanidade. Segundo Paulo VI: “o divórcio entre o evangelho e a cultura é sem dúvida o drama do nosso tempo”.

Na concepção Tomista, beleza é o que agrada a vista enquanto harmonioso e proporcional. Os sentidos se comprazem nas coisas bem proporcionadas, estando de acordo com a razão, uma vez que beleza é o amor que faz ver a verdade e o bem de todas as coisas . É belo tudo o que realiza sua natureza ideal. Já a feiúra é a ausência de beleza, o que não está de acordo com um fim.

A perspectiva contemporânea e subjetiva de estetização do mercado é : o que me apraz é belo e o que não me apraz é feio. Passa a existir um julgamento do gosto, mediante o qual adota-se uma atitude ante o objeto estético que não é o assentimento dado a uma verdade (lógica), nem a aprovação ou desaprovação que se faz de uma ação (ética). É uma espécie de agrado ou desagrado estético que se expressa em um julgamento: agrada-me, apetece-me, não me agrada, não me apetece.

O caos do mundo hodierno, provocado pela confusão nas mentes, também confundiu a beleza em si com a mera estética. A globalização é uma realidade e apresenta um mundo que não é senão a estética da saturação, do excesso, da máxima informação no mínimo de espaço e de tempo. A sociedade, assim globalizada, norteada por constantes e profundas renovações tecnológicas, perdeu a crença nos mega-relatos e na racionalidade como fundamento do conhecimento. Nela se despertam a subjetividade e a emoção, a virtualidade, as sub-culturas crescentes, favorecendo uma nova percepção cosmológica da realidade .

O homem ― crendo-se senhor de si mesmo ― se deixou enganar e passou a ser visto como mero consumidor no mercado de possibilidades indiferenciadas, onde a escolha em si mesma passou a ser o bem, a novidade aparenta ser a beleza e a experiência subjetiva suplanta a verdade.

Assim, o belo perdeu seus fundamentos e se reduziu a bem de consumo. No grande mercado da “aldeia global” atual desapareceram os signos de beleza: a máscara da propaganda parece triunfar sobre a verdade e a beleza últimas, revelando sua aparente “morte”. Em um mundo sem beleza, o bem perde sua força de atração e a verdade sua força de conclusão lógica.

É preciso reeducar as pessoas da “civilização da imagem”, ensinando por meio do belo a praticar a admiração e o elevar-se ao Criador, ao mesmo tempo metódica e degustativamente, partindo da figura e tendendo, por meio desta, a uma reflexão que nunca se distancia inteiramente da imagem, nem sequer no seu ponto terminal . A beleza tem um força pedagógica própria quando introduz eficazmente no caminho da verdade . É preciso descobrir o invisível a partir do visível. Este é o papel da beleza e da ordem, buscando as qualidades do Universo que impulsionam a olhar para o alto, onde está a beleza, libertando o homem das cadeias da massificação. Ela se manifesta nas multiformes maravilhas da natureza, mas também se traduz nas obras humanas, reflexos de seu espírito ― obras de arte, literatura, música, pintura e artes plásticas ―, bem como se faz apreciar, sobretudo, na conduta moral, nos bons sentimentos.

Hoje se necessita da beleza para não cair no desespero ― já dizia Paulo VI , no final do Concilio Vaticano II ―, e este é o caminho para encontrar a verdade e a bondade, que estão no coração do Evangelho. A beleza provoca emoções, põe em movimento um dinamismo de profunda transformação interior no homem, engendrando alegria e sentimentos de plenitude, desejo de participar livremente na mesma beleza, que passa a fazer parte de seu próprio interior, integrando-a em sua existência concreta . Só a espiritualidade da beleza pode reencontrar a Beleza Suprema.

A estética da mensagem determina a sua eficácia. “O belo que se comunica belamente chega mais rápido e mais profundamente ao receptor. A beleza comove e move o coração. A salvação para este mundo estetizado é a espiritualidade da beleza para, assim, reencontrar a beleza.

Escreve João Paulo II em sua carta aos artistas: “Ante a sacralidade da vida e do ser humano, ante as maravilhas do universo, a única atitude apropriada é o assombro, e a beleza é o que pode provocar este assombro que entusiasma. Os homens de hoje e amanhã têm necessidade deste entusiasmo para afrontar e superar os desafios cruciais que se avistam no horizonte. Precisamente neste sentido foi dito, com profunda intuição, que a ‘beleza salvará o mundo’. A beleza é o segredo do mistério e a chamada ao transcendente”.