É necessária a intercessão dos Santos?

Ir.Lays Gonçalves de Sousa, EP

Ao longo do percurso pela montanha da santificação, encontramos incontáveis obstáculos, tanto por nossa fraqueza quanto pelas investidas do demônio. Em determinadas circunstâncias parecer-nos-á impossível prosseguir caminho tão árduo, pois mesmo a oração aparentará não ter valor. Às vezes, estando próximos do píncaro onde nos será possível contemplar as magnificências de Deus, desencadeia-se uma tempestade violenta, as pedras do caminho tornam-se mais escorregadias e uma avalanche de misérias quererá derrubar-nos. A quem recorrer nestas ocasiões?

Se voltarmos os olhos ao cume da montanha, facilmente veremos aqueles que, tendo combatido o bom combate e não desistindo da luta, gozam da luz puríssima que de Deus irradia. Contemplando tamanha bem-aventurança, que fazer senão pedir-lhes que nos estendam a mão e nos levem a desfrutar dos mesmos benefícios?

Deus constituiu os Santos como mediadores dos homens e, por isso, é utilíssimo suplicar-lhes o auxílio. “Somos obrigados também à intercessão dos santos, para observar a ordem que Deus estabeleceu sobre nossa salvação, isto é, que os inferiores se salvem, implorando o auxílio dos superiores”.1

Podemos, também, gozar da intercessão dos santos vivos, como ensina Santa Teresa: “É de grandíssima vantagem para uma alma que se dá à oração tratar com os que deveras servem a Deus. […] De tanto conversar com eles, resulta trazê-la para onde estão”.2

Aos poucos estas santas almas nos conduzem ao patamar tão desejado e acabam por nos fazer exercitar a humildade, visto que, sem as súplicas destas não ousaríamos avançar.

A comunicação espiritual com aqueles que já estão desapegados de tudo é de enorme proveito para conhecermo-nos a nós mesmos. Além disso, dá-nos muito ânimo vermos praticados por outros, com tanta suavidade, sacrifícios que nos parecem impossíveis de abraçar. Vendo seus altos voos, nós nos atrevemos a voar também, do mesmo modo que os filhotes das aves o aprendem. Embora não se arrisquem logo a dar grandes voos, pouco a pouco imitam seus pais.3

Se os santos possuem audiência na corte celeste a ponto de poderem salvar inúmeras almas, que dizer d’Aquela que é a Aurora e esplendor da Igreja Triunfante, a Medianeira Onipotente?

Reservamos, portanto, ao próximo post, o papel de Nossa Senhora enquanto Intercessora e Advogada infalível daqueles que a Ela recorrem com verdadeira confiança, por meio da oração.

1 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. A Oração. Trad. Henrique Barros. 24. ed. São Paulo: Santuário, 2012. p. 37.
2 SANTA TERESA. Castelo interior ou Moradas. 11. ed. São Paulo: Paulus, 2003. p. 45.

3 Ibid. p. 67.

Uma ideia sobre “É necessária a intercessão dos Santos?

  1. Salve Maria!
    Os santos são propostos pela Santa Igreja para nos imitarmos, o santo é o modelo. A Igreja ao mesmo tempo que declara que eles estão no Céu, e que ali eles são intercessores muito potentes junto a N. Sra, e a Deus, os apontam junto aos fieis para que os fieis imitem. O fiel deve ter diante de si o Santo como ele foi, para ele imitar o Santo, se a gente faz o Santo como o fiel gosta, a gente deforma o Santo, faz um Santo que procura imitar o fiel, é o contrario, nós diante da verdadeira imagem o verdadeiro Santo, devemos tratar de ver do que gostamos e gostar daquilo, e se em algo nós sentimos uma dissonância nós devemos então de tratar de nos corrigir porque aquela dissonância é má, desenvolver as consonâncias, liminar as dissonâncias, aí está o verdadeiro caminho que se deve seguir. Isso assim posto nós compreendemos bem a importância que há em conhecer a verdadeira fisionomia dos santos.
    Conferencia sobre Santidade em São Paulo.

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