Na origem de grandes conversões

Ir. Patricia Victoria Jorge Villegas, EP

Não raras vezes, percorrendo as páginas da hagiografia e da História da Igreja, encontramos o bom exemplo na raiz das mais estupendas conversões. Nesses casos, o fulgor das virtudes de algum grande Santo serve a Deus como instrumento para ferir com seu dardo de amor a alma daqueles que deseja atrair inteiramente para Si.

A vida de Santo Ambrósio está coalhada de fatos magníficos, porém a “mais preciosa pedra de sua coroa de glória é a conversão de Santo Agostinho”. Repleto da sabedoria do mundo, mas longe da de Deus, Agostinho errava pelas vias do pecado e da heresia, tendo aderido à doutrina dos maniqueus. Conhecia alguns pontos da doutrina católica, mas não se deixava comover.

Mudando de Roma para Milão, ali encontrou o Bispo Ambrósio. “Tu me conduzias a ele sem eu o saber, para eu ser por ele conduzido conscientemente a Ti”,1 escreveu mais tarde em suas Confissões. As palavras de Ambrósio prendiam a atenção de Agostinho, mas seu conteúdo não o preocupava. Com o tempo, ele foi abrindo o coração aos ensinamentos do Bispo, até decidir procurar argumentos que demonstrassem a falsidade do maniqueísmo: “A fé católica não me parecia vencida, mas para mim ainda não se afigurava vencedora”.2

Entretanto, o que de fato o levou a aderir à verdadeira Religião foi o exemplo do santo Bispo de Milão: “Gostava não só de ouvir seus sermões, mas também de passar horas inteiras em seu gabinete, em silêncio, vendo esse homem de Deus trabalhar ou estudar”.3 Finalmente, declara Santo Agostinho: “Desde então comecei a preferir a doutrina católica”.4 Afirma o Papa Bento XVI: “Da vida e do exemplo do Bispo Ambrósio, Agostinho aprendeu a crer e a pregar”.5

Algo semelhante ocorreu na conversão de São Justino. Depois de percorrer em vão as escolas filosóficas mais em voga no seu tempo, em busca de conhecer a Deus, ele encontrou a verdade ao contemplar a serenidade e destemor dos mártires avançando rumo ao suplício. Este espetáculo fê-lo reconhecer a autenticidade e superioridade da Religião cristã.6 Eis o testemunho do próprio Santo: “Pelas obras e pela fortaleza que os acompanham, podem todos compreender que este – Jesus Cristo – é a Nova Lei e a Nova Aliança”.7

1 SANTO AGOSTINHO. Confissões. L.V, c.13, n.23.

2 Idem, c.14, n.24.

3 BECCARI, Luiz Francisco. Destemido defensor da Igreja. In: Arautos do Evangelho. São Paulo. Ano III. N.36 (Dez., 2004); p.36.

4 SANTO AGOSTINHO, op. cit., L.VI, c.5, n.7.

5 BENTO XVI. Audiência geral, 24/10/2007.

6 Cf. RUÍZ BUENO, Daniel (Ed.). Actas de los mártires. 5.ed. Madrid: BAC, 2003, p.303.

7 SÃO JUSTINO. Diálogo com Trifón, XI, apud RUÍZ BUENO, op. cit., p.303.

Texto extraído da Revista Arautos do Evangelho dez 2015