Como nuvens ao sopro do Espirito Santo  

Ir Ariane Heringer Tavares, EP

Entre os homens, muitos há que se dedicam a observar com cuidado as maravilhas postas por Deus na criação. Alguns o fazem visando novas descobertas científicas; outros, deixam-se levar pela moção da graça e almejam encontrar nos seres visíveis uma representação palpável de realidades infinitamente superiores.

Com o intuito de seguir a trilha destes últimos, deixemos ­voar a nossa imaginação até o cume de um elevado monte. As ­primeiras luzes do dia emitem seus fulgores e nossos olhos, libertando-se das trevas da noite, começam a distinguir uma névoa que cobre de mistério o panorama que dali se ­divisa.

Aos poucos a claridade se torna mais intensa. A bruma se dissipa e a paisagem aparece em todo o seu esplendor. Que grandeza! Vales verdejantes cercados de penhascos rochosos e picos nevados aparecem diante de nós. Ao longe, descortina-se um céu de safira sobre o qual as nuvens se deslocam com suavidade.

Docilmente conduzidas pelo vento, por onde passam elas tamisam os raios do Sol, tantas vezes causticante, e quando carregadas, derramam a água que vivifica, mas também lançam raios justiceiros ou arremessam terríveis pedras de granizo. No inverno liberam suaves flocos de neve que caem silenciosamente sobre a terra, cobrindo-a com um branco manto de inocência. Dir-se-ia serem elas mensageiras de Deus, encarregadas de transmitir ao mundo sua alegria ou sua cólera. E, uma vez executada sua tarefa, esvanecem-se sem ruído, deixando o firmamento límpido e transparente, como se por ali não tivessem passado.

São as nuvens imagem das almas despretensiosas e flexíveis ao sopro da graça, sempre dispostas a deixar-se conduzir pela Divina Providência, dando-se por inteiro a Ela.

No harmônico conjunto dos seres criados, cada um de nós é chamado pelo Criador a desempenhar uma missão única e exclusiva. Ao receber a graça santificante com as águas batismais nossa alma é introduzida num plano superior ao da simples natureza humana e recebe um convite todo especial: “Não queres ser um príncipe na minha criação? Eu te concedo uma participação criada na minha própria vida. Com isso Eu habitarei em ti, e tu serás o templo no qual Eu viverei”.

Sem dúvida, em nosso caminho não faltarão lutas, renúncias e sacrifícios, mas devemos nos abandonar confiantes nas mãos da Providência, como nuvens ao sopro do Espírito Santo. Sob seus doces impulsos seremos elevados a um patamar sublime, ao cimo da santidade, ao ápice da união com Deus.

Revista Arautos do Evangelho Julho -2016