Doce presença de Jesus Cristo sobre a Terra

Bruna Almeida Piva

Encontramos no Evangelho inúmeras passagens que narram milagres feitos por Nosso Senhor Jesus Cristo. Vemos cegos, coxos, paralíticos e leprosos sendo curados, e até mesmo alguns, como Lázaro e a filha de Jairo, sendo ressuscitados pela misericórdia do Salvador.

Conhecendo tão estupendos milagres, quantos de nós já desejamos ardentemente viver na mesma época de Nosso Senhor, para assim alcançar d’Ele algum prodígio semelhante! Quantos de nós já ansiamos, ao menos, poder tocar em sua túnica e receber assim alguma graça especial… Porém, apesar desses desejos serem inteiramente legítimos, estamos enganados se pensamos que essas graças somente são alcançadas por aqueles que tiveram o privilégio de estar junto a Jesus Cristo no tempo de sua vida terrena.

Corpus_Christi_ArautosCerta vez, o Profº Plinio Corrêa de Oliveira comentou que ele não compreenderia se Nosso Senhor, em sua infinita misericórdia, houvesse partido para o Céu e deixado, de alguma maneira, de estar presente sobre a face da terra. 1 De fato, Ele não o fez, pois na quinta-feira anterior ao seu Sacrifício, deixou-nos o inestimável e magnífico tesouro da Santíssima Eucaristia. “Seu Coração Eucarístico nos deu a presença real de seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Ele está presente por toda a terra, em todos os tabernáculos onde há hóstias consagradas, desde as mais belas catedrais até as missões mais longínquas e pobres. Ali está Ele como doce companheiro de nosso exílio, à nossa espera, com pressa para nos salvar, desejando que lhe peça”. 2

Com efeito, Nosso Senhor está todo nesse excelso sacramento em Corpo, Sangue e Alma, e em Divindade. A hóstia que vemos no altar é o próprio Cristo, presente da mesma forma que estava entre seus apóstolos e discípulos, apesar de nossos sentidos não poderem percebê-Lo.

Outro obséquio é de podermos receber este preciosíssimo Sacramento na Comunhão, graça superior até mesmo à que recebeu Santo Estevão quando criança, ao ser abraçado por Nosso Senhor, ou à que obteve o Apóstolo São João, ao recostar-se sobre o Sagrado Coração de Jesus na última Ceia. Pois, ao comungarmos, Cristo não só nos abraça, mas nos possui inteiramente, não só nos faz reclinar a cabeça sobre seu peito, mas põe seu Coração junto ao nosso; e nossa alma, nesse celestial encontro, se reveste da alvura e santidade do próprio Senhor Jesus.

“Nosso Senhor não podia inclinar-se mais a nós, os mais pobres, os mais necessitados e miseráveis, não podia demonstrar mais o seu amor quando, no momento supremo de privar-nos de sua presença sensível, quis deixar-se a Si mesmo entre nós, sob os véus eucarísticos”. 3

Portanto, quando nos sobrevier o desejo de estar pessoalmente diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, de progredir nas vias da virtude, ou quando quisermos alcançar d’Ele alguma graça, não sintamos que Ele está longe de nós, mas nos aproximemos do Santíssimo Sacramento, e certamente obteremos tais favores com a mesma eficácia – ou até maior, pelo mérito da fé – do que se estivéssemos na frente de Nosso Senhor da mesma forma que os Apóstolos.

Diante de tanto consolo e amor que encontramos nesse insigne sacramento, grande é a vontade de passar a eternidade inteira desfrutando de seus benefícios. Ora, sabemos que eles nos são concedidos enquanto ainda vivemos nesta terra. Continuaremos nós a recebê-los no Céu? Ou será da vontade de Nosso Senhor que essas graças sejam recebidas somente pelos homens em estado de prova?

Neste sentido, Monsenhor João explica que, uma vez que o sacramento visa produzir a graça, de acordo com o que a forma e a substância simbolizam, não faz sentido que haja comunhão ou qualquer outro sacramento no Céu 4, pois a graça existirá em nossa alma de maneira estável e permanente. Recebemos nessa vida a presença eucarística real de Nosso Senhor em nossa alma para que Ele nos santifique, nos torne semelhantes a Ele, e nos fortaleça contra todo mal; no Céu isso não será necessário, pois o veremos face-a-face e o possuiremos em tempo integral.

Ademais, segundo os teólogos católicos 5, não haverá Missa Sacramental na Eternidade. Haverá a Missa Mística: “Nosso Senhor Jesus Cristo passará a eternidade enquanto homem, de dentro de Sua humanidade, oferecendo [ao Pai], como Sumo Sacerdote, […] a glória do Sacrifício oferecido por Ele. […] Nós teremos constantemente no Céu a Missa sendo celebrada misticamente, […] e nós estaremos eternamente participando deste oferecimento feito por Nosso Senhor”. 6

Contudo, apesar da visão beatífica ser o maior prêmio que Deus poderia conceder aos homens justos, o que está presente no Santíssimo Sacramento é o próprio Autor da Graça. “É, portanto, algo que vale mais do que toda a ordem da Criação, vale mais do que, inclusive, a ordem da Graça. Juntemos todas as graças que a humanidade recebe, receberá e recebeu; todas as graças que existem em Nossa Senhora não dão, nem de longe, o que está numa partícula consagrada: a recapitulação do Universo (cf. Ef 1, 10) num pedaço de pão”. 7

Diante de tão inefável dom, o que podemos fazer para agradecer a Deus, ou ao menos, para Lhe conceder alguma alegria, por tanta bondade? Certamente, está fora do alcance de qualquer ser humano agradecer-Lhe dignamente; porém, Ele nada pede de nós a não ser que sejamos devotos da Sagrada Eucaristia, tanto quanto se possa ser. Comunguemos frequentemente, com as devidas disposições; visitemos as igrejas e capelas nas quais Ele se encontra exposto; entreguemo-nos por inteiro a Ele, com tudo quanto somos e possuímos, e Lhe daremos a melhor recompensa, em busca da qual Ele aceitou ser morto e crucificado: a nossa salvação.


1 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A presença de Cristo entre os homens na sua vida terrena e na Eucaristia. Revista Dr. Plinio. São Paulo. Ano VI. n. 63 (Junho, 2003); p. 23.
2 CLÁ DIAS, João Scognamiglio. Conferência. São Paulo. Arquivo IFTE.
3 CLÁ DIAS, João Scognamiglio apud MORAZZANI ARRÁIZ, Teresita. Aula de Teologia Sacramental no Instituto Filosófico-Teológico Santa Escolástica – IFTE. Caieiras, 2015. (Apostila).
4 Cf. Ibidem.
5 Ibidem.
6 Ibidem.
7 Ibidem.

Jesus: exemplo de obediência

Flávia Cristina de Oliveira
Sagrada Familia2

Diz um conhecido provérbio: verba volant, exempla trahunt, isto é, as palavras voam, mas são os exemplos que arrastam e movem a vontade do homem. Desta forma, não basta uma explicação teórica ou um tratado de moral para convencer uma pessoa a praticar certa virtude; o que é preciso, antes de tudo, é tê-la visto gravada não num papel, mas em alguém.

Este foi o procedimento de Nosso Senhor Jesus Cristo ao se encarnar. Não seria convincente que Ele apenas viesse à Terra, ditasse sua doutrina a alguns homens e depois retornasse para o Céu, “era necessário vê-Lo vivo, como modelo daquilo que Ele mesmo havia ensinado”.1 Por isso que, depois do lava-pés Ele ainda disse aos seus discípulos: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós” (Jo 13,15). Desta forma, o Divino Mestre estimulava os seus discípulos a modelarem não só seus atos, mas o coração conforme ao d’Ele.

A esse respeito, Hamon deixou excelente explicação:

Quando Deus, em seus eternos decretos, decidiu a encarnação do Verbo, Ele se propôs mostrar aos olhos dos homens o modelo da vida nova que deveria salvá-los. Como homem, o Verbo encarnado lhes mostraria o caminho; como Deus, Ele lhes daria a garantia da perfeição do modelo. Suas virtudes seriam imutáveis, pois elas seriam a ação de um homem, e elas seriam uma regra segura, já que seria a ação de um Deus.2

Na encarnação, obediência ao Pai

Foi por meio da virtude da obediência que se realizou o sublime mistério da encarnação do Verbo e da redenção da humanidade. O Filho Unigênito de Deus se antecipou em fazer a vontade do Pai. Conforme o próprio Padre Eterno revelara a Santa Catarina de Sena:

A humanidade que eu tanto amava, já não conseguia atingir sua meta, que sou eu. Impelido pela minha grande caridade, tomei nas mãos as chaves da obediência e a entreguei a meu Filho. […] Agora, quero que compreendas como essa grande virtude foi praticada pelo Cordeiro imaculado […]. Qual foi a razão pela qual se mostrou ele tão obediente? Foi seu amor pela minha glória e pela salvação dos homens. […] O Verbo encarnado foi fiel a mim, Pai eterno; por isso correu apaixonado pelo caminho da obediência. […]É no Verbo encarnado, portanto, que encontramos a obediência total. 3

O divino exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo descrito pela pluma dos evangelistas, sob o influxo do Espírito Santo, é posto em realce sob um aspecto essencial de sua missão nesta Terra: Ele se encarnou a fim de cumprir a vontade do Pai, fazendo-se obediente até a morte.

Nesta submissão, Jesus quis mostrar aos homens o quanto amou a obediência, pois sendo consubstancial com o Pai, abandonou esta igualdade para revestir-se de nossa carne, assumindo a condição de escravo (Fl 2, 7). Encontramos nos textos sagrados que “o Verbo se fez carne” (Jo 1, 14), em outra parte da escritura : “e se fez obediente” (Fl 2,8). Por isso, afirma Gay: “Fazer-se carne é sua constituição; se fazer obediente, é sua condição: uma resulta da outra, e esta se apoia sobre aquela; donde vem que ela é essencial e não pode mudar”.4

Imediatamente ao entrar neste mundo, nosso Redentor deu-nos mostra do valor da obediência através de sua humildade. Ele, enquanto Deus e Senhor de todas as coisas, poderia ter criado um palácio suntuoso para nascer em meio às riquezas, contudo preferiu uma simples gruta, numa das cidades mais apagadas de Judá e para berço escolheu uma pobre manjedoura composta de palhas. De sua primeira atitude poderíamos esperar que Ele tivesse manifestado algum desejo. Qual terá sido?

O Filho de Deus, entrando no mundo, não disse: eu farei isso, eu irei para lá, eu morarei em tal casa, eu seguirei o gênero de vida que me aprouver, eu contentarei todos os meus desejos. Passando do seio da virgem para uma pobre manjedoura, apenas vê a luz deste mundo quando já olha para o céu, entreabre seus bracinhos e diz com amor a seu Pai Divino: “Eis-me aqui, eu venho, ó Deus, para fazer a vossa vontade” (Hb 10, 9).5

Tendo abraçado a inteira obediência a vontade do Pai, Jesus não se negou a obedecer também às prescrições legais da época, uma vez que já no seio da virgem submeteu-se ao decreto de César Augusto. Além disso, Ele, o Supremo Legislador e Pai de Moisés, quis demonstrar sua fidelidade e obediência à lei Mosaica, aceitando a circuncisão e a apresentação no templo, e em outras ocasiões compareceu no templo para comemorar as festas dos judeus. Empreende a viagem para o Egito, a fim de cumprir docilmente a ordem dada pelo anjo. Pouco depois, em Nazaré, quase nada se sabe apenas uma frase de São Lucas que percorrerá a História até o fim dos séculos: “E era-lhes submisso” (Lc 2, 51). Nisso se resume o programa de vida de Nosso Senhor, sob a autoridade de Maria e de José.

Nos três anos de vida pública, Ele não cessou de ensinar a seus discípulos para que, em todas as coisas, eles tivessem uma inteira conformidade com a vontade de Deus. Não se limitou às palavras, mas quis que seus discípulos tivessem isso bem presente até mesmo em suas orações, quando ensinando-lhes a rezar, colocou como principal esta petição: “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu” (Mt 6,10), e para firmar a doutrina deu-lhes o seu exemplo: “Meu alimento é fazer a vontade do Pai” (Jo 4, 34)6, e em outra ocasião reafirmou: “Pois desci do Céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6, 38).7

Obediente até a morte

cruz2Foi o próprio Nosso Senhor quem disse a Santa Teresa: não é obediente quem não está disposto a padecer, e por isso deveriam olhar para os sofrimentos d’Ele pois desta forma a prática da obediência iria lhes facilitar.8 De fato, nos momentos de padecimento, tornou-se mais explicita sua obediência por meio dos sofrimentos, pois a vontade do Pai consistia especialmente nisso. Para cumprir o mandato do Pai em relação aos homens Ele se fez obediente, remediando assim a falta de obediência de Adão, de acordo com o dizer do Apóstolo, em sua carta aos Romanos: “assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos” (Rm 5, 19).

Jesus Cristo quis padecer todos os tormentos possíveis para assim purificar o homem de todas as suas malícias e reparar o pecado de desobediência. Ele assumiu todos os tormentos até o momento supremo do Consummatum est.

Morre só quando “tudo está consumado”, com uma obediência perfeita: Dixit: Consummatum est, et inclinatio capite, et tradidit spiritum (Jo 19, 30). O Consummatum est é a expressão mais adequada de toda a sua vida e obediência: como um eco do Ecce venio da encarnação. 9

“Permanecerei convosco até o fim dos tempos”

Nosso Redentor amou tanto o Pai que após ter padecido no Calvário, fez com que este mesmo sacrifício fosse renovado diariamente entre os homens, através da Celebração Eucaristia, podendo assim permanecer no meio dos homens.

Neste sublime sacramento Jesus Cristo permanece para servir os homens com o banquete de seu Corpo e de seu Sangue; mais uma vez a presença d’Ele se encontra com a marca da obediência. Ele obedece prontamente à voz do sacerdote, seja ele quem for, tendo ou não alguma virtude ou devoção, bastando que pronuncie as palavras da consagração para que o Pão Vivo se faça presente; Ele fica no tabernáculo a espera de que alguma alma venha adorá-Lo ; deixando-Se conduzir por qualquer pessoa. “Qualquer que seja o número dos fiéis que desejam comungar Ele se submete à vontade deles, entra em seus corações para santificá-los, consolá-los, dar-lhes a felicidade do espírito, e, por vezes, para receber o beijo da traição“.10

Em Jesus Sacramentado encontra-se um perfeitíssimo modelo de obediência: obedece em tudo, a todos e sempre; não exige condições, nada recusa, não se desculpa, não sabe senão obedecer.

1 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plínio. Ser mestre e modelo para o próximo. In: Dr. Plinio. São Paulo: Retornarei. n. 106, jan. 2007. p. 13.
2 “Quand Dieu, dans sés décrets éternels, décida l’incarnation du Verbe, il se proposa de placer sous les yeux des hommes le modèle de la vie nouvelle qui devait les sauver. Comme homme, le Verbe incarné leur montrerait la voie; comme Dieu, il leur garantirait la perfetion du modèle. Ses vertus seraient imitables, puisqu’elles seraient le fait d’un homme, et elles seraient une règle sûre, puisqu’elles seraient le fait d’un Dieu” (HAMON, M. Méditations. Paris: Lecoffre, 1933. Vol I. p. 55- 56. Tradução da autora).
3 SANTA CATARINA DE SENA. O Diálogo. Trad. João Alves Basílio. São Paulo: Paulinas, 1984. p. 358.
4 “être fait chair, c’est sa contitution; être fait obeissant, c’est sa condition: l’une sort de l’autre, et celle-ci s’appuie sur celle-là; d’où vient qu’elle est comme essentielle et ne saurait changer” (GAY, Charles. De la vie et des vertus chrétiennes. Poitiers: H. Oudin Frères, 1878. p. 360. Tradução da autora).
5 “Le Fils de Dieu entrant au monde n’a pas dit: Je farei ceci, j’irai là, j’habiterai telle maison, je suivrai le genre de vie qui me plaira, je contenterai tous mes désirs. Passant du sein de la Vierge dans une pauvre crèche, Il n’est plus tôt à la lumière du monde qu’il regarde vers le ciel, entr’ouvre ses petits bras et dit avec amours à son Père divin: Me voici, je viens, ô Dieu pour faire ce que vous voulez” (BOUCHAGE, F. Pratique des vertus. Paris: Gabriel Beauchesne, 1908. Vol. II. p. 301. Tradução da autora).
6 Cf. RODRÍGUEZ, Alonso. Op. cit. p. 446.
7 A respeito desta última frase de Nosso Senhor, “Eu desci do Céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6, 38), é de muita importância fazer uma observação. Para não ocorrer nenhuma dificuldade em compreender como poderia haver alguma diferença de vontades entre a do Pai e a do Verbo encarnado, sendo Ele a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a teologia nos explica: “Cristo en cuanto Verbo tenía ciertamente voluntad divina; y como la voluntad divina de Cristo coincide y se identifica absolutamente con la voluntad del Padre (ya que es un atributo de la divindad, comun a las tres divinas personas) síguese que en esos textos y otros parecidos alude Cristo a su voluntad humana en cuanto distinta de su voluntad divina, que coincide en absoluto con la de su Padre Celestial. […]El argumento para demonstrarlo es muy sencillo. Si en Cristo hay dos naturalezas integras y perfectas – como nos enseña la fe –, hay que concluir que había en el dos voluntades perfectamente distintas, la divina y la humana. De lo contrario habria que decir, o que la voluntad racional no pertenece ala integridad y parfeccion de la naturaleza humana ( lo que seria un disparate mayúsculo), o que la naturaleza humana de Jesucristo no era integra y perfecta (lo que seria herético). No hay subterfugio posible. Luego en Cristo, además de la voluntad racional humana hubo también voluntad sensible o apetite sensitivo, porque lo exige así la perfecta integridad de su naturaleza humana, si bien este apetito inferior estuvo enteramente subordinado y controlado por la voluntad racional” (ROYO MARIN, Antonio. Op. cit. 163).
8 SANTA TERESA DE JESUS. Livro da Vida. Op. cit. p. 170.
9 “Il ne meurt que lorsqu’il a ‘tout consommé’ par une parfaite obéissance: ‘Dixit: Consummatum est, et inclinatio capite, et tradidit spiritum’ (Jo 18, 30). Le Consummatum est: est l’expressin la plus vraie et la plus adéquate de toute as vie d obeissance; elle fait écho a l’Ecce venio de l’instant de l’incarnation. Ces deux paroles sont dês cris d’obeissant; et toute l’existace terrestre du Chrit Jésus tourne autour de l’axe reposant sur ces deux pôles (MARMION, Columba. Le Christ, idéal du moine. [s.l.]: [s.n], 1947. Vol. II. p. 339. Tradução da autora).
10 Cualquiera que sea él número de fieles que quieren comulgar, Jesús se somete a la voluntad de ellos, entra en su corazón para santificarles, consolarles, darles la felicidad del espirito, y a veces para recibir el beso de la traición.(MAUCOURANT, F. Op. cit. p. 194- 195).