Do mar estrela…

Maria Clara Joice Silvino

2º Ano Ciências Religiosas

Uma terrível tempestade assalta o pequeno barco que navega em meio à escuridão da noite. Parece que a embarcação irá soçobrar devido as enormes ondas e o navegador já não consegue mais controlar o timão, que gira descontroladamente de um lado para o outro.

Mas uma certeza enche de confiança o experiente navegante: as estrelas continuam a cintilar no céu, e quando as nuvens se dispersarem, a estrela da manhã indicará o norte.

O mar é este mundo e nós somos os navegantes. Neste mar, os ventos das contradições são furiosos; bravas as ondas do sucesso; repentinos os assaltos dos piratas que querem roubar os nossos méritos; muitos são os que naufragam. Como é possível chegar ao porto da bem- aventurança? A resposta nos dá São Bernardo: “Olha a estrela, invoca Maria”[1].

“Nossa Senhora – comenta o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira – é chamada, muito a propósito, de Estrela luminosíssima. Incontáveis astros reluzem no firmamento, porém Ela é o mais resplandecente de todos: ou seja, Maria é a mais luminosa das criaturas.”

“E por que é simbolizada pela estrela? Porque é durante a noite que cintilam as estrelas, e esta vida é para o católico uma noite, um vale de lágrimas, uma época de provação, de perigo e de apreensões. Na eternidade teremos o dia brilhante, porém na vida terrena teremos o escuro da madrugada. E nesta noite existe uma estrela que nos guia, que é a consolação de quem caminha nas trevas, olhando para o céu: Maria Santíssima, a mais fulgurante de todas as estrelas!”[2]

Sob a luz luminosíssima desta estrela não pereceremos. Porém, Maria não é só a estrela que nos guia, mas também o porto seguro que nos abriga nas tempestades desta vida. Olhando para esta estrela, não nos desviaremos; refugiando-nos neste porto de bonança, não naufragaremos nas tormentas, até chegarmos um dia à eterna bem-aventurança, onde receberemos a recompensa demasiadamente grande: contemplar para todo o sempre a luz desta estrela inextinguível.

[1] BERNARDO. Obras Completas. Madri: BAC, 1953. Vol. I. p. 205.

[2] Cfr. CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Conferência em 24/8/1965. In: CLÁ DIAS, João Scognamiglio. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado. São Paulo: Ipsis, 2010, v1, p.47.