Fazer tudo com espírito sobrenatural

Ir. Ariane Heringer Tavares, EP

Quem se dispõe verdadeiramente a seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, não caminha, mas voa nas vias da virtude. E justamente por isso, faz de sua vida um contínuo sacrifício de louvor, desejando antecipar cada vez mais o dia em que o convívio com a Santíssima Trindade será eterno. A vida dos santos nos dá prova que, independentemente da vocação à qual foram chamados, ao longo de sua caminhada neste vale de lágrimas, não sabem senão falar com Deus ou de Deus para todos os que os rodeiam.

Santa Teresinha do Menino Jesus, como mestra de noviças no Carmelo de Lisieux, tinha um profundo zelo pela boa formação de suas subalternas, não perdendo nenhuma ocasião de dar-lhes algum ensinamento por meio de palavras e, principalmente, de exemplos. Certa vez em que a comunidade se ocupava com a lavagem das roupas, tocou o sino que indicava o término das funções e convidava todas à oração. Porém, como ainda faltasse muito por ser feito, a superiora julgou conveniente prolongar os trabalhos por mais algum tempo. Santa Teresinha, então, observando que uma das noviças trabalhava com especial ardor, aproximou-se dela e perguntou: “‘Que estais fazendo?’ ‘Eu lavo’, respondeu ela. ‘Está bem, mas interiormente deveis fazer oração; este tempo é do Bom Deus, não temos o direito de tomá-lo’”. 1

Este fato mostra claramente como uma alma verdadeiramente contemplativa pode, mesmo em meio às atividades mais corriqueiras do dia-a-dia, estar em contínua comunicação com Deus, rendendo-Lhe glória. É o que se passava em grau eminente com a Santíssima Virgem, que ao girar, por exemplo, a maçaneta de uma porta, dava mais glória a Deus do que muitos outros santos no momento de seu martírio.2

Tal vigor de alma não pode ser concebido sem se tomar em consideração a vida sobrenatural. O papel da graça consiste exatamente em iluminar a inteligência, em robustecer a vontade e em temperar a sensibilidade de maneira que se voltem para o bem. De sorte que a alma lucra incomensuravelmente com a vida sobrenatural, que a eleva acima das misérias da natureza decaída, e do próprio nível da natureza humana.3

É o que também se passava inúmeras vezes com outra Santa Teresa, a grande reformadora do Carmelo, que, apesar de suas frequentes viagens e trabalhos relativos à fundação de novos conventos, nutria uma intensa vida interior, que era a alma de todo o seu agir. Um dia, preparava ela deliciosas e frescas panquecas que seriam servidas no almoço do convento. Enquanto as fritava, seus pensamentos se elevaram a tão alto patamar que, de repente, viu-se objeto de um êxtase que a deixou transfigurada e extremamente luminosa. O mais interessante foi que, mesmo durante uma tão intensa comunicação sobrenatural, nenhuma panqueca se queimou. Pelo contrário, acabaram ficando ainda mais perfeitas e suculentas. Esse é um “belo símbolo do equilíbrio entre a contemplação e a ação. Quem deseja fazer boas ‘panquecas’ em matéria de apostolado, reze fervorosamente; se orar, o apostolado dará bons frutos; sem oração, os frutos serão menores ou nulos”. 4

Há, porém, da parte de alguns, uma desculpa frequentemente utilizada para deixar de lado o recolhimento: a famosa falta de tempo ou o excesso de ocupações, que preenchem os horizontes do homem, sobretudo na sociedade contemporânea.

Conta-se que Dom Chautard,5 um ilustre monge trapista, autor de “A Alma de todo apostolado”, certa vez foi abordado pelo primeiro ministro da França, Benjamin Clemenceau,6 que o indagou a respeito de como conseguia encontrar tempo para fazer tanta coisa. O religioso, com muita simplicidade, respondeu: “Acrescente às minhas ocupações diárias a celebração da Missa, a leitura do breviário, outras tantas práticas de vida de piedade, e então sobra tempo para as demais atividades”.7 A resposta impressionou profundamente o primeiro ministro, que não imaginava que o fato de acrescentar atos de piedade aos afazeres diários poderia fazer sobrar mais tempo para estes.

É, portanto, um “erro funesto pensar que o espírito prático é o oposto do contemplativo, gerando a falsa ideia de que a piedade de uma pessoa realizadora e dinâmica deve diminuir na proporção de suas obras, e que o tempo por ela dedicado à oração prejudica seus empreendimentos”.8

1 SANTA TERESA DE LISIEUX. Conselhos e lembranças. 4. ed. Trad. Carmelitas Descalças do Carmelo do Imaculado Coração de Maria e Santa Teresinha. São Paulo: Paulus, 1984, p. 71.
2 Cf. SÃO LUÍS MARIA GRIGNON DE MONTFORT . traité de la vraie dévotion à la Sainte Vierge, n. 222. In: Œuvres Complètes. Paris: Du Seil, 1996, p. 638.
3 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Revolução e Contra-Revolução.5.ed.São Paulo: Retornarei, 2002 p.131.
4 Id. Santa Teresa: alma de rara grandeza. In: Dr. Plinio. São Paulo: ano IX, n. 103, out. 2006, p. 29.
5 Jean-Baptiste Chautard (*1858 – †1935), cisterciense trapista, abade do mosteiro de Sept-Fons (França).
6 Jorge Benjamin Eugênio Clemenceau. Político, escritor e médico francês. (*1841 – †1911).
7 CHAUTARD, Jean-Baptiste apud CORRÊA DE OLIVEIRA. Santa Teresa: alma de rara grandeza. Op.cit. p. 28.
8 CORRÊA DE OLIVEIRA. Santa Teresa: alma de rara grandeza .5.ed.São Paulo: Retornarei, 2002 p. 28.

Via contemplativa: um chamado especial?

Ir. Ariane Heringer Tavares, EP

Como atingir uma total união com Deus? Será este um caminho disposto pela Providência somente para aquelas almas muito eleitas, chamadas a uma vocação especial?

Conforme os ensinamentos de diversos teólogos, todas as almas em estado de graça são chamadas à contemplação infusa, ou seja, a um convívio celestial, possuindo uma centelha da bem-aventurança de que gozam os justos no Céu. Aqui na terra, contempla-se a Deus como em um espelho. Somente no céu O “veremos como Ele é” (I Jo 3, 2). Com efeito,“não é que a graça da contemplação se dê aos grandes e não aos pequenos, senão que, com frequência, a recebem ambos; mais frequentemente os retirados e, algumas vezes, os casados”.1 Logo, não há estado algum entre os fiéis que possa ficar excluído desta graça, seja na tranquilidade de um claustro ou em meio às atividades da vida secular.

Isso se explica pelo fato de que todos os batizados, ao se tornarem participantes da natureza divina, recebem a graça santificante juntamente com as virtudes e os dons, que se desenvolvem com a caridade. Ora, segundo São Tomás de Aquino, “a vida contemplativa não se ordena a um amor qualquer a Deus, mas ao amor perfeito”.2 Portanto, é a virtude da caridade levada ao pleno desenvolvimento. Nesta perfeição de amor é que terá origem a fecundidade das ações próprias à vida ativa.

Ademais, é um bem que deve ser desejado e que não se nega àqueles que o procuram: “Se não fosse geral este convite, não nos chamaria o Senhor a todos, e ainda que chamasse, não diria: ‘Eu vos darei de beber’. […] Mas, como disse, […] a ‘todos’, tenho por certo que a todos os que não ficarem pelo caminho não lhes faltará esta água viva”.3

Recolhimento: conditio sine qua non…4

Entretanto, para que de fato a Santíssima Trindade faça dos homens a sua morada e os cumule com esta insigne predileção, se requerem algumas disposições espirituais, independentes do estado de vida em que se encontrem.

Além de um profundo desapego das coisas concretas, de uma inteira humildade e pureza de coração e da prática habitual das virtudes, é indispensável ainda outro fator que constitui condição indispensável para o desenvolvimento da vida contemplativa: o recolhimento. “Assim como a dissipação repele os bens divinos ou dificulta sua saudável influência, assim o recolhimento os atrai até nós e favorece sua eficácia”.5

Antes de tudo, é preciso esclarecer que recolhimento não é sinônimo de solidão ou silêncio. Estes são fatores que o tornam propício, mas não se confundem com ele. O recolhimento consiste, mais do que numa atitude exterior de afastar-se das ocupações do dia-a-dia, num estado de espírito que nada pode perturbar. “Uma alma recolhida é, pois, uma alma retirada das criaturas e que busca a Deus, sua vontade e seus desejos para conformar-se com Ele em tudo”.6

É um contínuo estado de oração no qual, mesmo em meio às mais diversas atividades, o coração e a mente estão sempre voltados para o sobrenatural. Em meio à dissipação e à agitação, dificilmente se poderá ouvir o chamado e as inspirações que o Espírito Santo sopra em nossas almas. “O silêncio da alma e dos sentidos exteriores é ‘a ajuda que prestamos a Deus para que Ele se comunique a nós’”.7 Mesmo os pecadores mais empedernidos, quando aprendem a ouvir essa voz interior, iniciam um processo de conversão que pode elevá-los aos altos píncaros da santidade, como narra Santo Agostinho em suas Confissões: “Eis que estavas dentro de mim e eu fora Te procurava. […] Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez”.8

Além de atrair para a alma todos os bens celestiais, o recolhimento é o melhor meio de fazê-los frutificar. Ele é como um motor para as boas obras, como o caule que liga o fruto à videira, visto que nos coloca em contato com o Onipotente e nos faz trabalhar tendo em vista não as criaturas, mas unicamente a glória de Deus.

A pessoa que assim procede alcança rapidamente a santidade e tem sua vida transformada:

[…] Outrora tinha as suas horas de meditação e oração; agora a sua vida é uma oração perpétua; quer trabalhe quer se recreie, quer esteja só ou acompanhada, incessantemente se eleva para Deus, conformando sua vontade com a d’Ele: ‘quae placita sunt ei facio semper’ (Jo 8, 29) [“Eu faço sempre aquilo que é do seu agrado”]. E esta conformidade não é para a alma senão um ato de amor e entrega total nas mãos de Deus; as suas orações, as suas ações comuns, os seus sofrimentos, as suas humilhações, tudo está impregnado de amor a Deus.9

Não nos faltam exemplos de como as comunicações divinas se fazem sentir sobretudo nos momentos de recolhimento e de como este leva a frutificar os dons recebidos na contemplação. Entre os inúmeros fatos que nos narram as Sagradas Escrituras, dois são especialmente dignos de nota.

Em primeiro lugar, tomemos os quarenta dias de retiro sobre o Monte Sinai. Antes de firmar com o povo de Israel a Aliança definitiva, em que se realiza a entrega das tábuas da Lei contendo o Decálogo, o próprio Deus convida a Moisés para que suba para junto d’Ele: “Sobe para mim ao monte e deixa-te estar aí” (Ex 24, 12). Exige o Senhor que seu servo se prepare e esteja à altura da missão de que será portador. Para isso, deseja que ele suba, ou seja, que se afaste das coisas terrenas. Moisés sobe, mas somente depois de sete dias de recolhimento o Senhor lhe dirige a palavra. “E, entrando Moisés pelo meio da nuvem, subiu ao monte, e lá esteve quarenta dias e quarenta noites” (Ex 24, 18).

Somente depois de quarenta dias de retiro e contemplação lhe são entregues as tábuas da lei…

Outro relato nesse sentido é a preparação para a descida do Espírito Santo. Consta nos Atos dos Apóstolos que, após a ascensão de Jesus, os discípulos voltaram para Jerusalém e se reuniram no Cenáculo. Muitos deles ainda julgavam que aquele seria o momento da implantação do reino político do Messias e que obteriam com isso uma grande glória mundana.10 No entanto, apesar desse estado de espírito infelizmente reinante, é preciso reconhecer que estavam ali reunidos à espera do batismo de fogo que, segundo as palavras do Mestre, receberiam dentro de alguns dias.

Por isso, “todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e com Maria, a Mãe de Jesus” (At 1, 14). Assim, a graça tinha meios para atuar e preparar suas almas para o precioso Dom que receberiam e em virtude do qual expandiriam a Igreja de Cristo por toda a terra. “Estavam recolhidos, modo excelente de preparação para os grandes acontecimentos”11. Passaram-se dez dias de contínua oração até o cumprimento da promessa de Nosso Senhor. “Em geral, Cristo ressurrecto escolhia oportunidades como estas — de reflexão e compenetração da parte de todos — para lhes aparecer, assim como o Espírito Santo para lhes infundir seus dons”.12

Passados esses dias de contemplação, os apóstolos retomaram novamente suas atividades e, através desse recolhimento regenerador, foram assumidos por um entusiasmo e um fogo que antes não possuíam.
Donde destacarmos a necessidade da contemplação para o sustento da vida espiritual, conceito tantas vezes esquecido nos dias atuais, tão penetrados pelo ateísmo e pelo pragmatismo.

[1] ROYO MARÍN, Antonio. Op.cit. p. 454: “[…] no es que la gracia de la contemplación se dé a los grandes y no a los pequeños, sino que con frecuencia la reciben los grandes y con frecuencia los pequeños; más frecuentemente los retirados y alguna vez los casados”. (Tradução da autora)
[2] SÃO TOMÁS DE AQUINO. Summa Teologiae, II-II, q.182, a. 4, ad 1: “[…] vita contemplativa non ordinatur ad qualemcumque Dei dilectionem, sed ad perfectam”. (Tradução Loyola. Doravante se utiliza sempre esta tradução para esta obra)
[3] SANTA TERESA DE JESUS. Camino de perfección. C. 19, 15. In: Obras completas. 9. ed. Madrid: BAC, 2006, p. 319: “Si no fuera general este convite, no nos llamara el Señor a todos, y aunque los llamara, no dijera: ‘Yo os daré de beber’. […] Mas como dijo, […] ‘a todos’, tengo por cierto que todos los que no se quedaren en el camino, no les faltará esta agua viva”. (Tradução da autora)
[4] Condição indispensável. (Tradução da autora)
[5] ROYO MARÍN, Antonio. La vida religiosa. Madrid: BAC, 1975, p. 442: “Así como la disipación rechaza los bienes divinos o dificulta su saludable influencia, así el recogimiento los atrae hacia nosotros y favorece su eficacia”. (Tradução da autora)
[6] Ibid. p. 439: “Un alma recogida es, pues, un alma retirada de las criaturas y buscando a Dios, su voluntad y sus deseos, para conformarse a Él en todo”.(Tradução da autora)
16 M-BRUNO. Op. cit. p.30: “Le silence de l’âme et des sens extérieurs est ‘l’aide que nous prêtons à Dieu pour qu’Il se communique à nous’”. (Tradução da autora)
[8] SANTO AGOSTINHO. Confissões. Madrid: BAC, 2013, p. 385: “Et ecce intus erat et ego foris, el ibi te quaerebam […]. Vocasti et clamasti et rupisti surditatem meam”. (Tradução da autora)
[9] TANQUEREY. Op. cit. p. 613-614.
[10] A Autora se lembra de ter ouvido este comentário de Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias inúmeras vezes, em diversas homilias, nas missas celebradas diariamente para seus filhos espirituais na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, Caieiras, São Paulo.
[11] CLÁ DIAS, João Scognamiglio. E renovareis a face da Terra. O inédito sobre os Evangelhos. Comentários aos Evangelhos Dominicais. Advento, Natal, Quaresma e Páscoa – Ano A. Città del Vaticano – São Paulo: LEV; Lumen Sapientiae, 2012, v. I, p. 398.
[12] Ibid. p. 407.

Paz, humildade, mansidão

Emelly Tainara Schnorr

Do outro lado da imensidão do Oceano, numa das mais quentes áreas da Andaluzia, encontra-se o antigo palácio dos Condes de Palma. Sua construção, em estilo mudéjar, chama a atenção pela antiguidade e história, mas, sobretudo, por acolher uma realidade muito mais alta e sublime: a comunidade das Carmelitas Descalças de Écija, conhecidas como as “Teresas” em homenagem à grande Madre Fundadora.

Ao cruzar o átrio do prédio, as primeiras impressões começam a invadir nossa alma e nos convidam a levantar as vistas para panoramas superiores, que se contrapõem às preocupações terrenas. Já no claustro, arcos rústicos e firmes parecem simbolizar a solidez dos princípios que regem o cotidiano entre aquelas paredes. Cruzes frias, duras e nuas, penduradas em seus muros, lembram a quem ali mora o supremo sacrifício de Cristo; enquanto na capela, o suave e perseverante bruxulear da lamparina convida com insistência a nos unirmos ao Doce Jesus, verdadeiramente presente no tabernáculo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, sob as espécies eucarísticas.

As salas e as celas do mosteiro são marcadas pela simplicidade, visando facilitar a oração e a meditação, tão necessárias a nós e agradáveis a Deus. E o conjunto do prédio encontra-se envolvido por uma atmosfera sobrenatural que enche a alma de doce e pacífico refrigério.

Chamam a atenção, de fato, a calma e serenidade que pairam naquele ambiente monacal, dominado por um silêncio apenas cortado pelo chilrear dos pássaros ou pelos passos de uma carmelita que se desloca discreta, atendendo ao toque do sino e parece viver em constante diálogo com os Anjos e com Deus.

Tal silêncio envolve e apazigua o espírito, convidando a esquecer o que ocorre fora daquele ambiente recolhido e bendito. Com palavras mudas e imponderáveis, mas quão eloquentes, ele parece dizer:

— Meu filho, pare e contemple quanta coisa há de belo neste mundo sagrado que não são as preocupações do dia a dia, que não é o terra a terra, que não é o agir-agir. Em cada um de nós existe um mundo interior no qual Deus toma contato com a nossa alma. É o mundo do sobrenatural, que de um modo misterioso filtra até nós e se torna sensível ao nosso espírito. 1

Tomados por essa atmosfera, nos deparamos com uma placa afixada em lugar bem visível que adverte: “A mansidão, a humildade e a paz são os fundamentos da vida interior”. Ora, quão bem resume esta frase o segredo da vida monástica! Se nos encantamos com a robustez e a sobriedade dos arcos do claustro ou com a luminosidade tamisada da capela, se nos sentimos atraídos pelo bimbalhar do sino ou se somos afagados pelas bênçãos que exalam de todo o ambiente, a razão disto está na vida interior das pessoas que ali habitam. A construção nada é se as almas não estão em graça, pois são elas “quais pedras vivas” (I Pd 2, 5), que fazem deste lugar um edifício espiritual.

Estarão, contudo, os fundamentos da vida interior reservados apenas àqueles a quem Deus pede a renúncia ao esplendor e à glória do mundo para brilhar somente para Ele nas clausuras, entregando-se à contemplação? É evidente que não! Dos divinos lábios de nosso Salvador brotou um ensinamento, no qual está consignado o meio grandioso, e ao mesmo tempo simples, de todo e qualquer batizado alcançar a mansidão, a humildade e, em consequência, obter a paz: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas” (Mt 11, 29).

1Cf. CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Palestra. São Paulo, 13 set. 1972.