Como o cedro do Líbano…

Ir. Adriana María Sánchez García, EP

Nas regiões montanhosas do Oriente Médio próximas ao Mar Mediterrâneo, Deus convida o homem a contemplar uma beleza natural inteiramente mítica. Encontram-se ali paisagens cheias de mistério e poesia que parecem saídas de uma lenda, nas quais se erguem os famosos cedros-do-líbano. Árvores frondosas e majestosas, cuja folhagem se mantém sempre verde, podem alcançar os 40 m de altura e viver por séculos, atravessando incólumes invernos e verões.

Estes imponentes vegetais suportam bem a seca, mas necessitam da luz e do calor solar para se desenvolverem plenamente. Daí sua preferência pelos cumes dos montes, onde costumam formar florestas puras ou mistas com abetos-da-cilícia, pinheiros-larícios ou algumas espécies de juniperus, por exemplo. Quando se encontram em meio a outras espécies, os cedros levantam-se altaneiros acima delas, levando-nos a pensar naquela plêiade de almas que se sublimam por sua fidelidade e, destacando-se no cenário da História, apontam para o Céu: os Santos.

À semelhança dos cedros, também eles crescem sob a ação do Sol de Justiça, Jesus Cristo, e à medida que progridem na perfeição vão distanciando seu coração das coisas da Terra para fixá-lo nas maravilhas do Céu. Com as raízes bem fundadas na prática dos Mandamentos e na frequência aos Sacramentos, resistem não só às aridezes da vida espiritual, como também às tempestades das provações: “elevar-se-ão como o cedro-do-líbano. Plantados na casa do Senhor, nos átrios de nosso Deus hão de florir” (Sl 91, 13-14).

Ora, se tão excelente árvore representa os justos, com mais razão ainda simboliza Maria, a Rainha de todos os Santos, a quem Se aplica aquela passagem do Eclesiástico: “Elevei-me como o cedro-do-líbano” (24, 17).

Para melhor compreendermos este elogio bíblico, é mister lembrar que a madeira do cedro, aromática e incorruptível, foi utilizada pelo rei Salomão para revestir o interior do Templo de Jerusalém, como descrevem as Sagradas Escrituras: “Dentro do edifício o cedro era esculpido de coloquíntidas e flores abertas; tudo era de cedro; não se via a pedra” (I Rs 6, 18).

De forma análoga, Deus quis construir para Si um Templo esplendoroso e imaculado: desde toda a eternidade, Ele predestinou Maria Santíssima para ser a Mãe do seu Filho Unigênito e A preparou para esta missão, preservando-A da corrupção do pecado e ornando-A de inúmeras graças e privilégios, cujo agradável perfume atrai os bons e afugenta os maus.

A expressiva figura do cedro aplicada a Maria está consignada pela Igreja no belo texto do Pequeno Ofício da Imaculada Conceição, cuja recitação permite aos fiéis exaltar as grandezas de Nossa Senhora e, ao mesmo tempo, experimentar as ¬doçuras de sua maternal bondade. Por isso, ao chamá-La de “Cedro da pureza rara”,1 nesta oração, temos a certeza de que Ela, embora elevada acima de todas as criaturas, Se compadece de cada um de seus filhos e sobre eles Se debruça para alçá-los ao Céu. Pois, se foi Ela o “caminho pelo qual o Altíssimo desceu aos pequeníssimos”, é também Ela “o caminho pelo qual os pequeníssimos podem subir ao Altíssimo”!2

1 CLÁ DIAS, EP, João Scognamiglio. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição comentado. 2.ed. São Paulo: ACNSF, 2010, v.I, p.243.

2 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Ladainha de invocações a Nossa Senhora. In: Opera Omnia. Reedição de escritos, pronunciamentos e obras. São Paulo: Retornarei, 2011, v.III, p.411.

 Revista Arautos do Evangelho –  Junho – 2015