Quão suave é o Senhor

Ir. Letícia Sousa,EP

É próprio a todas as obras saídas das mãos d’Aquele que é a Perfeição serem perfeitas. Contudo, tendo Deus criado o universo deixou que certas maravilhas — catedrais, palácios, músicas, e tantas outras coisas — fossem feitas pelo homem, sua imagem e semelhança (Cf. Gn 1, 26), refletindo-O enquanto Criador. Essas belezas seriam, segundo a expressão de Dante, como que netas do Altíssimo a glorificá-Lo e ao mesmo tempo servindo ao homem.

Tomemos, por exemplo, a Basílica Nossa Senhora do Rosário situada junto à principal casa de formação dos Arautos do Evangelho e nascida do enlevo de um varão cheio fé e que deseja que o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo se estabeleça não só nas almas, mas em toda face da terra. Quem, pela primeira vez, entra na Basílica, crê contemplar a antecâmara do céu e solta uma exclamação de encanto e deslumbramento, pensando ter encontrado a suprema beleza que já toca no inverossímil nesta terra.

Dá significativo testemunho a este respeito um visitante: “Quando entrei na igreja, nossa!Eu senti que se existe um lugar onde mais me aproximei de Deus, foi ali. Nunca vi uma igreja mais linda. Reaproximei-me de Deus”.

Conservando o estilo gótico, elevado e tendente ao mais alto, a basílica faz com que de proche en proche a alma suba até Deus, atingindo um admirável equilíbrio de espírito que conduz ao auge do entusiasmo, porém calmo, sereno e sério que não produz frenesi, nem sensações de intemperança, como os ambientes igualitários de nossos dias.

Tudo no templo arrebata pelo esplendor das formas e ao mesmo tempo convida ao recolhimento e à oração. Os visitantes sentem-se no ápice do enlevo, da contemplação e da meditação com um convite a glorificar e servir a Deus, a Nossa Senhora e a Santa Igreja Católica Apostólica e Romana.

As harmonias inusitadas — como as cores — conseguem conciliar, num mesmo conjunto, simplicidade, elevação e realeza onde se presencia a grandiosidade de Nosso Senhor e uma intimidade com o sobrenatural. O fiel que ali reza sente a sublime graça de estar sendo recebido carinhosamente por seu Pai Celeste na sua corte mais íntima e comprova “quão suave é o Senhor”

Mons. João Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho

“Assim como todos recebem a salvação pelas sílabas contidas nos evangelhos, assim também sábios e ignorantes recebem a sua parte dessa bem-aventurança pelo efeito das imagens coloridas que têm sob os olhos. Pois, o que a língua diz e prega com sílabas, essa escritura o faz por cores”. 1

Contemplando tais maravilhas, a alma se dá conta de que foi criada para algo muito superior ao que existe nesta terra. Vê que esta relação harmônica que há entre as belezas materiais e sua própria alma é um prelúdio do que lhe está reservado no Céu.

Portanto, envolvidos por um panorama transbordante de sobrenatural, recorramos a Nosso Senhor, cujo Sagrado Coração é uma fonte de inesgotáveis misericórdias, pedindo que a suavidade d’Ele amenize nossos sofrimentos; que nos dê forças para melhor suportá-los, para que, assim, possamos caminhar santamente sobre esta terra e alcançar a felicidade eterna.

1 Etienne Gilson. Introdução às artes do belo, p.15.

O que nos torna íntimos aos santos?

Joice Silvino Santos

Ao se aproximarem do presbitério da Basílica Nossa Senhora do Rosário, os fiéis se deparam com várias relíquias de santos postas sob a mesa do altar.

Mas, se perguntássemos ao leitor por que damos culto às relíquias, a resposta seria convincente e segura? Caso não fosse, não se sinta constrangido, pois dá-la-emos agora.

A palavra relíquia vem do latim, provavelmente de relíquus (restante) ou relinquere (deixar). Portanto, “relíquia” designa aquilo que restou dos santos ou as coisas que por ele foram deixadas.

Como todos sabem, existem dois tipos de relíquias: as diretas e as indiretas. As diretas são alguma parte da carne, dos ossos ou das cinzas. As relíquias indiretas são algo que por eles foi tocado. Alguém poderia se perguntar: “Nossa! Existe uma quantidade imensa de relíquias indiretas, como um santo pôde ter tocado em tantos objetos?” Na verdade, nem todas as relíquias indiretas foram tocadas pelos santos, pois algumas foram simplesmente encostadas em suas relíquias diretas.

Quando uma pessoa toca em alguma coisa, algo dela passa para o objeto que foi tocado. Tomemos como exemplo o recipiente em que foram lavadas as mãos de Pilatos. Se alguém lhe desse de presente, o leitor aceitaria? Provavelmente não, pois, alguma coisa do ato infame de Pilatos passou para o objeto. Algo análogo acontece com as relíquias indiretas.

Já as relíquias diretas, como um pedaço de carne ou de osso são parte de uma pessoa que se encontra no Céu. Desse modo, quando o santo ressuscitar, aquele fragmento se unirá ao seu corpo e passará para o estado glorioso. Assim, a relíquia direta é, em certo sentido, a presença física de um bem-aventurado entre nós.

Portanto, as relíquias são um verdadeiro tesouro! Se por acaso o leitor possui alguma, venere-a e não a deixe guardada em alguma gaveta no meio de objetos profanos. Devemos osculá-las todos os dias pelo menos, de manhã ou à noite. E, além do mais, procurar sempre conhecer a vida do santo a que correspondem, para termos uma piedade fogosa. Lembremo-nos de que elas são uma arma para o combate.

Certos militares levavam uma relíquia incrustada na espada… É bom, nas horas de perigo, tê-las sempre junto a nós para garantirmos que, na luta contra o demônio, não batalhamos sozinhos, mas contamos com a presença de santos vitoriosos!