E os Anjos proclamavam “Glória”!

Maria Beatriz Ribeiro Matos

Em uma noite fria e silenciosa, pelas montanhas e campos da Judeia, ecoou um cântico sonoro e festivo, trazendo uma mensagem para a humanidade: “Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na Terra aos homens, objeto da boa vontade de Deus” (Lc 2, 14)! Ao longo dos tempos, em cada Natal os lábios dos fiéis repetem este hino, enquanto seus corações sentem-se, mais uma vez, pervadidos pelas harmonias celestiais que impregnaram aquela Noite Santa em que “o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14).

Pelos séculos vindouros, a Igreja jamais cessará de recordar a jubilosa homenagem que os coros dos Anjos prestaram ao Deus Menino, nascido em Belém: “Glória a Deus no mais alto dos Céus”.

Glória! Não há quem não a almeje! E quantos correm atrás dela… Entretanto, poucos a encontram.

Há aqueles que baseando-se nos próprios dotes — reais ou imaginários — creem já tê-la conquistado, atribuindo ao próprio mérito aquilo que de Deus receberam ou que sua fantasia forjou para si. Tal glória, contudo, é inteiramente subjetiva, pois só é comprovada pela própria pessoa.

Outros, embora constatando suas deficiências, procuram revestir suas ações de uma aparência extraordinária, no intuito de serem tidos em grande conta e ganhar os aplausos dos demais. Também esta é uma glória irreal, já que, longe de se fundamentar em fatos, procede da opinião errônea de outrem.

Ora, a glória verdadeira atinge o seu ápice quando alguém, notando em si a excelência de uma virtude, reconhece não estar nele a origem dela, mas sim numa dádiva divina.

Exemplo incomparável encontramos na manjedoura da Gruta de Belém. Ali está reclinado o doce Menino Jesus. Ele tem um conhecimento absoluto de Si e de sua origem eterna, enquanto Unigênito de Deus, como também tem perfeita consciência, enquanto Homem, da glória que Lhe foi concedida pelo Pai ao entrar no mundo e ser constituído centro do universo, Juiz dos vivos e dos mortos.

Dos homens, pobres criaturas, Ele apenas exige um reconhecimento simples: nossos louvores nada Lhe acrescentam, porém, são o tributo humilde da homenagem que Lhe devemos, como poderiam ser as aclamações feitas por crianças, colocadas à beira do caminho, a um vencedor em seu desfile triunfal.

Deus é o único Ser que merece toda a glória. Neste Natal, unamos as vozes de nossos corações aos cânticos angélicos e aproximemo-nos do Presépio onde repousa o Divino Infante para render-Lhe nossa adoração. Confessemos nossa contingência e reconheçamos sua infinita grandeza, que se dignou assumir nossa carne para tornar-nos partícipes de sua glória por toda a eternidade!

Revista Arautos do Evangelho dez 2013

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