Ninguém luta sem vigilância, nem vence sem oração

Ir. Aline Karolina de Souza Lima

“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 41). Após o pecado original, a natureza humana ficou corrompida e o homem sujeito às sugestões diabólicas – como afirma São Pedro “O vosso adversário, o diabo, anda em derredor como um leão que ruge, procurando a quem devorar.” (IPd 5, 8-9) – e às más inclinações.

Essa recomendação de Nosso Senhor aos três Apóstolos inicia-se com a vigilância, pois não basta somente a oração, ela precisa estar unida à vigilância, pois “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 41).

De fato, ao longo de toda a História, inúmeros povos e nações perderam o fervor e caíram na tibieza. Qual foi a causa dessa decadência?

As grandes vocações não decaíram repentinamente. A causa de sua ruína encontramos na falta de vigilância, abrindo brechas em suas almas por negligencia ou por não terem afastado daquilo que sabiam ser nocivo ao estado de amizade com Deus.

Para que uma torre nunca possa ser destruída, ela precisa de dois elementos: fortaleza e fundamento. Para uma alma nunca sucumbir é indispensável que ela se faça forte pela vigilância e se fundamente na piedade. “Um cofre sem fechadura de nada vale. Assim também, uma alma sem vigilância fica à mercê do inimigo. Por isso Jesus insiste tanto nesta virtude, à qual deve sempre complementar uma autêntica piedade”.1Plinio Correa de Oliveira aconselhava:

Cumpre, pois, termos uma vigilância continuamente voltada para nossa vida interior. Importa sermos desconfiados contra nós mesmos […]. Se não combato a pequena lacuna, a armadilha quase imperceptível, dentro em pouco estarei na voragem de uma tentação sob a qual posso sucumbir
.2

Afinal, “o que é ser vigilante? [Ser] vigilante é não permitir que nada se apresente para roubar o estado de graça em que se vive”.3 Ela nada mais é que a precaução contra os obstáculos que nos impedem de atingir o nosso fim último, isto é, servir, glorificar a Deus aqui na Terra e gozar de seu convívio por toda eternidade.

Entretanto, outra virtude que auxilia a vigilância é a previdência, “se alguém não deseja ser derrotado em nenhuma circunstância, o remédio é ser continuamente previdente, pois, do contrário, num belo momento ele não prevê o perigo, este cresce de modo súbito e o estrangula”4.

Há uma virtude da qual procedem a vigilância e a previdência: a prudência. Ela nos esclarece como agir diante do risco, pois “esta é uma virtude moral sobrenatural que inclina a nossa inteligência a escolher, em qualquer circunstância, os melhores meios para atingir os nossos fins, subordinando-os ao nosso fim último”.5

Se se apresentam ocasiões de pecado, deve-se pensar, em primeiro lugar: Deus não pode ser ofendido de nenhuma maneira. E em segundo lugar, fugindo da perversidade, a alma se vê livre para voar nas vias da perfeição e alcançar a vida eterna; do contrário, ela correrá risco de jamais contemplar a face de Deus. Assim, o fato de refletir na hora incerta da morte e que a qualquer momento podemos deparar-nos com o Justo Juiz ajuda-nos a ser vigilantes. “Ficai preparados! Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem” (Lc 12, 40).

Nao olvidemos, porém, que a prudência, vigilância e previdência não sobrevivem sem vida interior. A oração é para as virtudes como o ar é para os pulmões. Mesmo que sucumbamos à tentação por debilidade, podemos nos levantar da queda mais ufanos e cheios de ânimo, contanto que rezemos e voltemos confiantes os olhos para Aquela que é o escudo inquebrantável de batalha, Maria Santíssima. Rezando a Ela, o homem não se assusta com a proximidade do perigo, mas o enfrenta, recobra o ânimo e parte para novas lutas. Com Maria, ele sabe que está sendo assistido por Deus e por isso, maiores vitórias lhe estão reservadas já aqui na Terra, e no Céu uma glória extraordinária.6

Cumpre, pois, praticar os ensinamentos do Divino Mestre: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41).

1 [1] CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos. Comentários aos Evangelhos dominicais. Ano C. Città del Vaticano/São Paulo: L.E.Vaticana/Lumen Sapientiae, 2012, v. VI, p. 269.
[2] EDITORIAL. A necessária virtude da previdência. In: Dr Plinio. São Paulo: Ano IX, n. 95, fev. 2006, p. 4.
[3] CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O pecado não produz a felicidade verdadeira: Homilia da 3ª Feira da XXII semana do Tempo Comum. São Paulo, 2 set. 2003.
[4] EDITORIAL. A necessária virtude da previdência. In: Dr Plinio. São Paulo: Ano IX, n. 95, fev. 2006, p. 4.
[5] MARAGNO, Ana Rafaela. Aula de Religião no Colégio Arautos do Evangelho Internacional – Monte Carmelo. Caieiras, 13 jun. 2011. (Apostila).
[6] Cf. EDITORIAL. Loc. Cit.

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